
Lista de desejos da Costa Amalfitana
As falésias são absolutamente lindas e a água tem um azul quase elétrico. Infelizmente, a maioria das praias não é de areia, e sim de cascalho miúdo. Ainda bem que havia muitos barcos com piloto para dar a volta e explorar, o que foi muito divertido.
Por que a Costa Amalfitana merece um lugar na sua lista de desejos
É estranho que tão poucos viajantes cheguem até aqui, mesmo com a Itália recebendo milhões de visitantes todo ano rumo a Roma, Florença e Veneza. Turistas invadem o país de carro e de ônibus, mas, ainda assim, a Costa Amalfitana continua parecendo uma descoberta, não apenas mais um item de lista de viagem. Perdido em Ravello numa tarde de chuva, com nuvens vindo do mar e nenhum raio de sol à vista, é fácil se perguntar por que mais gente não faz esse desvio.
Quando ir
Os melhores meses para visitar a região são maio, junho, setembro e outubro. Nesse período dá para nadar, fazer trilhas e não ficar preso atrás de um ônibus numa estrada que quase não tem espaço para um carro. Julho e agosto trazem multidões e um calor capazes de sufocar as estradas estreitas e as praias. Excursionistas de Nápoles inundam as cidadezinhas pitorescas, e o trânsito pode transformar um trajeto curto em horas respirando gases de escapamento. Setembro é o ponto ideal: as multidões diminuem, o mar continua quente e a luz ganha um tom dourado incrível a partir das 17h. A maioria dos hotéis e restaurantes fecha de novembro a março, quando a costa fica tranquila e bonita, mas muitos negócios estão de portas fechadas para o inverno.
Lugares imperdíveis na Costa Amalfitana
Positano
É bem provável que você já tenha visto essa cidadezinha um milhão de vezes no Instagram. E, sim, ela é tão boa quanto parece. Prédios em tons de rosa e pêssego se equilibram na beira do morro íngreme da costa, buganvílias despencam pelas grades e os cafés fervilham de vida, tudo isso de frente para uma praia de areia vulcânica escura. Qual a melhor perspectiva da cidade? Do ferry, enquanto o barco se aproxima do cais. A cidade toda surge diante de você como uma pintura. Se puder, pule a Spiaggia Grande e siga pelo caminho até a Fornillo Beach, no lado oeste da cidade. É menor, mais tranquila e melhor.
Caminho dos Deuses (Sentiero degli Dei)
Imagine uma caminhada de três horas a 600 metros acima do nível do mar. E isso é só o começo. Você atravessa a vegetação mediterrânea, masserie e vigne abbandonate. A costa fica à sua direita, e Capri bem à sua frente, sem nenhuma pressa. São 7,8 quilômetros de dificuldade média, e vale cada passo. Você sai de Bomerano e chega a Nocelle, gostando cada vez mais. E o trecho final, que desce até Positano, já é motivo suficiente para fazer a trilha.
Ravello
Ravello fica a 350 metros acima do mar, o que a torna uma cidade tranquila e culta. Diferente das outras cidades do litoral, não tem praia, mas isso não incomoda Ravello nem um pouco. Dizem que os jardins da Villa Rufolo inspiraram Wagner a compor Parsifal, e todo verão acontece ali o festival de música, com o palco projetado sobre o mar. A Villa Cimbrone tem seu próprio Terraço do Infinito, com bustos de mármore olhando de uma sacada para nada além de mar e céu. É tudo um pouco demais, e bonito demais. A cidade anda na metade da velocidade das cidades da costa e, depois de alguns dias de ônibus pelas falésias, isso cai muito bem.
Catedral de Amalfi
A catedral parece estar no topo de uma grande escadaria, empoleirada sobre a cidade, como sua verdadeira sala de estar, já que todo mundo se reúne nos degraus. A fachada árabe normanda bizantina, com suas listras marcantes, data da reconstrução do século 13, embora a igreja em si tenha sido fundada originalmente no século 9. A mistura de estilos não se parece com nenhuma outra catedral que você verá na Itália.
Chez Black
Na areia desde 1949, este é o glamour clássico à moda antiga. O spaghetti alle vongole é a especialidade da casa por um bom motivo: é tão bom quanto você espera. Salgadinho, com alho, al dente. As pizzas no forno a lenha também são boas, mas, sinceramente, você vem pelas mesas à beira-mar, pelos garçons italianos exagerados no melhor sentido possível, pela Peroni geladíssima e pelas ondas batendo na areia enquanto você come. Este é o almoço dos sonhos na Costa Amalfitana.
Atrani
Fica a só dez minutos a pé de Amalfi, mas poderia muito bem estar em outro continente. Atrani é a menor cidade do sul da Itália e não está nem aí para impressionar ninguém. Tem uma pracinha, uma prainha, umas duas trattorias pequenas onde o cara para quem você acena da orla é o mesmo que cozinha sua massa e serve seu vinho, e é basicamente isso. Nada de hotéis metidos, nada de lojas de linho, só uma vila de pescadores de verdade. O fato de este lugar ficar tão perto de Positano e ao mesmo tempo ser tão diferente de Positano é quase um milagre do mundo moderno. Chegue pelo caminho à beira-mar ou atravessando o túnel. De qualquer jeito, você vai voltar para casa se perguntando por que este lugar não é tão famoso no Instagram quanto o vizinho logo ali.
Bate e volta à ilha de Capri
A ilha fica abarrotada durante o dia, mas esvazia rápido no fim da tarde e, embora você precise de um financiamento para se hospedar lá, à noite o lugar é praticamente todo seu. Alugar um barco particular para passear pela costa o dia inteiro custa uma quantia de três dígitos, mas vale cada centavo. De resto, segure a fome até chegar ao Boathouse, na baía de Marina Piccola, para um espaguete de frutos do mar que por si só já vale o passeio de barco.
Fiorde de Furore
Sim, é verdade! Essa gruta marinha é facilmente alcançada de barco a partir de Amalfi ou de Conca dei Marini e raramente fica cheia. A luz do sol que filtra pela água cria um brilho esmeralda por toda a caverna, dando à Gruta Esmeralda seu nome. Estalactites pendem do teto, e uma cena de natividade submersa repousa no fundo da caverna, visível através da água impossivelmente cristalina. É surreal.
O'Parrucchiano
Este restaurante recebe clientes desde 1868, e a especialidade moderna da casa, o canelone do tamanho da sua cabeça, foi criada aqui. O salão no jardim é romântico demais, com um teto de limoeiros, escuridão iluminada por lanternas e folhagem por todo lado. É provavelmente o lugar mais romântico para comer em toda a costa. A perfeição absurda do lugar grita "restaurante italiano romântico" de várias maneiras, mas, de algum jeito, não soa nada forçada. Delicie-se com gnocchi alla sorrentina, confira o peixe do dia e prove o excelente limoncello da casa, feito com os limões enormes pendurados nos terraços logo acima de você... Só não deixe de reservar uma mesa para o jantar e chegar antes do pôr do sol.
Gruta Esmeralda (Grotta dello Smeraldo)
Pode não ser tão azul nem tão famosa quanto a Gruta Azul de Capri, mas, por outro lado, também não é tão cheia. Talvez porque seja igualmente estranha. A luz do sol filtra por um buraco no topo da caverna, e a água cristalina tinge tudo de um verde esmeralda impressionante. Um barqueiro conduz o barco com uma vara pela entrada baixa da gruta, e antes que você consiga soltar seu primeiro "uau" diante do tom esverdeado da água, vai avistar a cena de natividade de cerâmica submersa, repousando no fundo do mar. É possível entrar na água, se enfrentar a escadinha baixa.
Dicas de quem conhece a Costa Amalfitana
- Como se locomover: Dirigir não é recomendado, porque as estradas são estreitas e cheias de curvas. Prefira o ônibus SITA ou as balsas que circulam regularmente entre Positano, Amalfi e Salerno. Aliás, as balsas são metade da experiência, porque a vista da costa a partir do mar é espetacular.
- Onde se hospedar: A cidade de Amalfi tem as melhores conexões de balsa e a localização mais central. Positano é a glamorosa, mas (fica o aviso) tudo custa o dobro. Minori e Maiori são o segredo local: boas praias, bons restaurantes e nenhum susto com os preços.
- Calçado de trilha: Sim, use tênis de trilha, não sapatos da moda nem chinelos. O Caminho dos Deuses, as escadarias entre as cidades e até a própria Positano têm centenas de degraus de pedra. Chinelo é só para a praia.
- Limões: Na Costa Amalfitana você vai encontrar os maiores limões do mundo. Do tamanho de uma bola de softball, são uma iguaria local. Prove o limão em forma de granita, no bolo delizia al limone e tome um limoncello fresquinho. Mas cuidado com onde você prova: os industrializados vendidos em lojas de souvenir costumam ser doces demais e não fazem jus a essa fruta incrível.
- Para economizar: Faça a refeição principal do dia no almoço. Muitos restaurantes servem menus de almoço a preço fixo por uma fração do custo do jantar. Compre itens para piquenique num alimentari (empório) local e faça um piquenique na praia. Nenhuma vista de restaurante supera isso.
- Como chegar: Você pode voar para o Aeroporto de Nápoles e pegar o trem Circumvesuviana até Sorrento (embora seja bem lento e possa lotar). De lá, pegue o ônibus SITA que percorre a costa. Outra opção é reservar um transfer de táxi ou pegar uma balsa em Nápoles ou Salerno.
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